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07/12/2017 - Atualizado em 07/12/2017
Super Dica com Dra Márcia Fraga: Os efeitos do Cortisol no organismo
Por Redação
 

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Por: Dra Márcia Fraga - Biomédica

O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas supra-renais que é liberado em períodos de maior agitação, como ao acordar ou ao fazer exercício físico, por exemplo. No entanto, as maiores quantidades deste hormônio são produzidas durante momentos de muito estresse, sendo por isso, conhecido como o hormônio do estresse.

Durante estes períodos, as glândulas supra-renais produzem também adrenalina e noradrenalina que, juntamente com o cortisol, provocam algumas alterações no organismo, como:

Aumento da frequência cardíaca: leva o coração a bombear mais sangue, aumentando a quantidade de oxigênio nos músculos;

Aumento dos níveis de açúcar no sangue: aumenta a quantidade de energia disponível no corpo;

Diminuição da produção de insulina: evita que o açúcar seja armazenado, podendo ser usado mais rapidamente pelos músculos;

Estreitamento dos vasos sanguíneos: obriga o coração a trabalhar mais, aumentando a quantidade de sangue nos tecidos.

Estas alterações quando surgem por pouco tempo são boas e facilitam a tomada de decisões rápidas, sendo uma resposta normal e natural do corpo para ajudar na resolução do problema que está causando estresse.

Porém, quando o estresse é constante, os níveis de cortisol ficam altos durante muito tempo e podem provocar diversos tipos de problemas de saúde.

Consequências do cortisol alto

O cortisol alto é muito comum em pessoas que sofrem de estresse crônico, pois o organismo está constantemente produzindo o hormônio para deixar o corpo pronto para resolver as situações estressantes, que acabam não sendo resolvidas.

Nestes casos, as alterações provocadas pelo cortisol organismo se mantêm por muito tempo e podem causar problemas sérios como:

Pressão alta e doenças cardíacas: surgem devido ao aumento constante da frequência cardíaca e do estreitamento dos vasos sanguíneos;

Aumento da gordura abdominal: a diminuição da produção de insulina, a longo prazo, leva ao acúmulo excessivo de gordura na região abdominal;

Diabetes: devido ao aumento constante do nível de açúcar no sangue causado pelo cortisol.

Além disso, o excesso de estresse e o aumento do cortisol também levam a uma diminuição do sistema imune, facilitando o surgimento de resfriados, gripes e outros tipos de infecções.

1. Insônia

O estresse pode causar ou agravar a insônia, pois, além das situações estressantes como problemas familiares ou no trabalho poderem criar dificuldade para pegar no sono, as alterações hormonais também causam interrupção do sono durante a noite, diminuindo muito a qualidade do descanso.

O que fazer: algumas estratégias que podem ajudar incluem beber um copo de leite antes de dormir, evitar a cafeína até 3 horas antes de dormir, manter o quarto fresco, pouco iluminado e confortável e, principalmente, não pensar sobre os problemas relacionados com o estresse.

2. Transtornos alimentares

A compulsão alimentar ou a anorexia são exemplos muito comuns de transtornos alimentares causados pelo excesso de estresse, pois quando o corpo está sobrecarregado ou fora de controle, tenta encontrar maneiras de lidar com esses sentimentos desagradáveis através da alimentação.

O que fazer: consultar um nutricionista e um psicólogo, pois o tratamento deve ser adequado de acordo com o transtorno alimentar, peso, idade, autoestima e força de vontade, por exemplo.

3. Depressão

O aumento prolongado do cortisol, que é a hormônio do estresse, e a redução de serotonina e dopamina causada pelo estresse estão fortemente associadas à depressão. Desta forma, quando não se consegue gerir ou lidar com situações de estresse, os níveis hormonais ficam alterados por muito tempo, podendo causar depressão.

O que fazer: adotar comportamentos que diminuem o estresse, como evitar pensamentos negativos, expor-se ao sol pelo menos 15 minutos por dia, dormir entre 6 a 8 horas por dia, praticar exercício físico regularmente, evitar ficar isolado e passear ao ar livre. Se necessário, consultar um psicólogo para orientar o tratamento adequado.

Além disso, alguns alimentos como a banana ou o arroz, também podem ajudar a combater a depressão.

4. Problemas cardiovasculares

O estresse pode fazer com que as artérias e as veias se comprimam, resultando em uma diminuição do fluxo de sangue, batimentos cardíacos irregulares e até endurecimento das artérias. Isto aumenta o risco de formação de coágulos, má circulação, AVC, aumento da pressão arterial e até infarto.

O que fazer: fazer uma alimentação saudável, dando preferência para legumes, verduras e frutas, assim como praticar exercício físico regular, experimentar técnicas de relaxamento e massagem, por exemplo.

5. Síndrome do intestino irritável e prisão de ventre

O estresse pode provocar contrações anormais no intestino, deixando-o mais sensível a estímulos e causando sintomas como flatulência, diarreia e distensão abdominal. Assim, quando o estresse é constante, o intestino pode ficar com estas alterações permanentemente, resultando em síndrome do cólon irritável.

Porém, em alguns casos, o estresse pode provocar o oposto devido à alteração da flora intestinal que leva a pessoa a ir com menos frequência ao banheiro, contribuindo para o surgimento ou agravamento da prisão de ventre.

O que fazer: fazer uma dieta balanceada e mais rica em fibras, além de ingerir cerca de 2 litros de água por dia. No caso do intestino irritável podem também ser utilizados remédios analgésicos para aliviar os sintomas e, sobretudo, fazer uma dieta pobre em gorduras, cafeína, açúcares e álcool, pois estes alimentos pioram os sintomas.

O estresse crônico libera altas taxas de cortisol, sendo uma das causas do envelhecimento precoce, inclusive prejudicando no processo de emagrecimento. Além disto, cortisol em excesso provocado pelo estresse é a causa do famoso "branco" em alguns alunos no momento de exames escolares. Saiba aqui o que é o estresse, como ele age, o que provoca no organismo e quais estratégias de enfrentamento utilizar para uma melhor qualidade de vida.

Qual a relação entre níveis de cortisol e estresse?

O estresse se caracteriza como um quadro externo que altera o estado fisiológico de equilibrio de um organismo, causando disfunções em diversos sistemas do corpo, entre eles, o circulatório, o nervoso e o endócrino.

Podemos ter dois tipos de estresse: o fisico e o mental

O estresse físico é aquele que agride de alguma forma a estrutura fisiológica do corpo humano. Por exemplo: exercícios físicos desregulados ou supressão alimentar prolongada. No caso do estresse mental, o desequilíbrio ocorre através da elevação da atividade cerebral e no aumento de neurotransmissores que aumentam o estado de vigília do corpo, propiciando o estado de alerta. Vale a pena salientar que o estresse físico e mental estão intrinsecamente relacionados.

Uma vez que o estresse é pontual, superada a questão, os níveis hormonais e o processo fisiológico voltam à normalidade, mas quando este se prolonga, os níveis de cortisol no organismo disparam, causando, como relatado anteriormente, inúmeros danos a saúde, dentre eles, a memória.

Através deste mecanismo de regulação, explicamos o famigerado "branco" que os alunos tem antes das provas, que sob pressão do estresse não se lembram da questão, mas que depois da prova, vem à tona todos os conteúdos momentaneamente esquecidos.

A relação entre estresse e cortisol é tão grande, que é possível medir o nível de estresse através da taxa de cortisol na saliva. No entanto, o exame mais comum para detectar sua taxa é o de sangue, sendo feito pela manhã.

Emagrecimento e Estresse:

Diante de situações estressantes prolongadas, o que é caracterizado pelo estresse crônico, o organismo vai acumular açúcar no sangue para prepará-lo para a fuga ou luta. O cérebro traduz a informação de que existe uma ameaça ambiental e por este motivo, o açúcar deverá ser acumulado e transformado em tecido adiposo, principalmente na região abdominal.Por este motivo, quem vive constantemente sob pressão psíquica, não consegue obter bons resultados no processo de emagrecimento, devido ao açúcar constantemente liberado na corrente sanguínea.

Envelhecimento precoce e estresse:

O envelhecimento é um processo normal e faz parte do ciclo de desenvolvimento humano, iniciando-se em torno dos 25 anos, quando começa a diminuição hormonal. O processo de envelhecimento cutâneo é multifatorial e podemos enumerar: fatores genéticos, ambientais, estilo de vida, etc. No entanto, estresse prolongado aumenta o nível de cortisol no sangue além do normal, provocando a oxidação celular que vai produzir radicais livres. Portanto, para ter um envelhecimento saudável, é necessario rever o estilo de vida e saber administrar o estresse. Altas taxas de cortisol é um vilão quando o assunto é rejuvenescimento cutâneo.

E agora, que sabemos um pouco sobre o cortisol e sua relação com o estresse, eis o ponto mais importante, ou seja, o prático: como fazer para equilibrar o nível de cortisol no sangue?

Para termos nosso equilibrio bioquímico, psicofisiológico e hormonal, é imprescindível adotarmos uma conduta de vida mais harmoniosa seja no campo físico ou mental. Alguns fatores deverão ser evitados, outros, estimulados. Devemos procurar desenvolver uma conduta mais positiva e saudável perante a vida, procurando o autoconhecimento, revendo nossos hábitos e resolvendo nossas questões pessoais e relacionais que sao geradores de estresse. Fique atento aos sinais que seu corpo emite, pois o sintoma é a linguagem do corpo. Caso perceba que existe algo errado, procure um médico.

Fatores que devem ser evitados:

Privação de sono, exercício físico intenso, fome prolongada (dietas feitas por conta própria, sem acompanhamento profissional), dieta com grande restrição calórica (ocasiona diminuição da massa muscular corporal) e excesso de cafeína.

Fatores que devem fazer parte do nosso cotidiano:

Consumir proteína magra, praticar exercícios físicos (sempre com acompanhamento profissional), ter uma boa noite de sono, fazer caminhadas ao ar livre, meditação, musicoterapia, técnicas de respiração, massoterapia e yoga são bastante recomendáveis. Importante ter uma alimentação rica em omega 3 (encontradas nos peixes como o salmão e o atum), incluir também magnésio, vitamina C, fosfatidilserina na dieta e fazer psicoterapia.

PARA REFLETIR:

"Mude sua filosofia de vida, procurando entender a causa do seu estresse. A cura só existe com a  mudança interior. Portanto, reveja todos os seus habitos, pois recursos paliativos só resolve momentaneamente e não o problema em si."

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